Reza · Axé Umbanda

Oração para Desenvolver a Mediunidade

Prece de quem está em desenvolvimento no terreiro, com Oxalá, o Anjo da Guarda e o guia chefe

Oração: Oração para Desenvolver a Mediunidade
Resposta rápida

A oração para desenvolver a mediunidade é a prece de quem está começando a lapidar a faculdade mediúnica na Umbanda: pede a Deus, a Oxalá, ao Anjo da Guarda e ao guia chefe humildade, sinceridade, paciência e disciplina para aprender no tempo certo. Reze todos os dias e antes de cada gira de desenvolvimento, sem forçar sinal e sempre sob a orientação do dirigente da sua casa.

Oração para Desenvolver a Mediunidade

Meu Deus, senhor de toda a vida e de todo o axé,eu venho até vós com o coração aberto e o joelho no chão:ensinai-me a ser um bom aparelho.Não vim pedir dom, nem sinal, nem destaque na corrente,vim pedir humildade para aprender devagar.Oxalá, meu pai velho, senhor da coroa de todo filho,firmai o assento da minha cabeça no vosso branco,aquietai a minha vaidade e endireitai a minha intenção,e tirai de mim a pressa de querer chegar antes do tempo.Meu Anjo da Guarda, que caminha comigo desde o berço,guardai a porta da minha mente e do meu peito,para que só entre em mim aquilo que vem da luz.Meu guia chefe, senhor da minha tarefa,chegai no vosso tempo, do jeito que eu possa suportar,e me corrigi sem dó quando eu quiser correr.Dai-me sinceridade para dizer o que sinto e o que não sinto,coragem para não fingir aquilo que não veio,e paciência com a minha própria medida de aprender.Que eu não me compare com médium nenhum desta casa,porque cada cabeça tem a sua hora e o seu preparo.Guardai o meu corpo, o meu juízo e a minha casa,e dai-me disciplina para o preceito, para o estudo e para o silêncio.Se a mediunidade é tarefa, que eu a receba como caridade e nunca como vantagem sobre alguém.Firmai os meus pés nesta casa e o meu respeito ao meu dirigente,porque ninguém aprende a caminhar sozinho.Agradeço o pouco que já sei e o muito que ainda tenho para aprender.Epa Babá, meu pai Oxalá. Saravá a minha corrente. Assim seja.

O significado desta oração

Desenvolver a mediunidade na Umbanda não é ganhar um poder, é lapidar uma faculdade que a tradição entende como natural do espírito. O ensinamento mais repetido nas casas é que a mediunidade não é privilégio de ninguém: todos a têm em algum grau, e o que muda é o tipo, a intensidade e a tarefa. Por isso a prece de quem está em desenvolvimento não pede dom, pede preparo. Desenvolvimento é aprender a sentir sem se assustar, a reconhecer quem chega, a sustentar a corrente, a doar sem se esvaziar e a calar quando é hora de calar. As etapas descritas variam de casa para casa e as listas divergem: há terreiros que falam de irradiação, incorporação e firmeza, e há autores clássicos que descrevem o processo como domínio progressivo das faculdades sensoriais, motoras e psíquicas, começando pelo frio na espinha, pelas mãos geladas e pelo braço que trava sem explicação.

A segunda coisa que a tradição afirma com clareza é que isso não se faz sozinho em casa. Não porque exista segredo guardado a sete chaves, mas porque desenvolvimento pede lugar preparado, corrente firmada, assentamentos e alguém de fora olhando de perto. Quem está começando fica passivo e receptivo, e passividade sem cobertura é porta aberta. Em casa cabe muita coisa: prece diária, vela ao Anjo da Guarda, ponto cantado baixinho, leitura, elevação do pensamento, conversa mental com o guia. O que não cabe é dar passividade de incorporação fora da casa e sem a corrente. O dirigente e o guia chefe conduzem o ritmo, avaliam o transe ao longo de meses e decidem quando o médium é liberado para servir na gira ou quando o desenvolvimento precisa de mais tempo. Esse tempo não é castigo, é cuidado.

A parte mais dolorida do desenvolvimento quase nunca é espiritual, é emocional. Vem a ansiedade de não sentir nada, a comparação com o médium do lado que já baixa Preto-Velho, a vergonha de estar consciente, o medo de estar inventando. Aqui a tradição é bem honesta: médium totalmente inconsciente é raríssimo, e praticamente todo mundo começa muito anímico, com o próprio eu interferindo na maior parte do trabalho. Quanto mais a pessoa se vigia por medo de inventar, mais o psiquismo dela ocupa espaço. O caminho não é mentir que apagou, é dizer a verdade ao dirigente, inclusive a verdade chata de que não veio nada naquele dia. Sinceridade é fundamento de desenvolvimento. Junto dela andam a humildade, o preceito cumprido sem drama, o estudo constante e a caridade fora do terreiro, porque de nada serve incorporar bem na gira e ser uma pessoa difícil na segunda-feira. O Anjo da Guarda, nesse conjunto, não é a mesma coisa que a entidade: a tradição o entende como o espírito de guarda que acompanha a pessoa, enquanto o guia chefe é o mentor que responde pela tarefa e conduz a linha de trabalho.

Existe ainda um ponto que precisa ser dito sem rodeio, porque salva vida. Sensação estranha, tontura, desmaio, insônia, palpitação, ouvir vozes, medo intenso ou pensamento confuso não são automaticamente sinal de mediunidade aflorando. Podem ser, e a Umbanda séria não nega isso, mas também podem ser questão de saúde física ou mental, e a psiquiatria brasileira estuda há décadas justamente a diferença entre experiência espiritual e sintoma psicopatológico. Terreiro sério não disputa com médico. Se os sintomas forem fortes, persistentes, atrapalharem o trabalho, o sono ou a convivência, procure avaliação profissional e continue rezando: uma coisa não desmente a outra. E desconfie sempre de quem cobra dinheiro prometendo abrir a sua mediunidade rápido, garantir incorporação em poucas semanas ou revelar o seu guia mediante pagamento. Isso não é fundamento, é comércio.

TipoOração autoral
TemaPrece de quem está em desenvolvimento no terreiro, com Oxalá, o Anjo da Guarda e o guia chefe
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Reze de manhã ou à noite, sempre no mesmo horário, para que a prece se torne hábito. Fique de pé ou sentado com a coluna apoiada e respire fundo três vezes antes de começar.
  2. Se quiser, acenda uma vela branca em local seguro, sobre um pires, longe de cortinas, e nunca deixe queimando sem alguém em casa. O branco é a cor de Oxalá e a mais indicada para pedido de paz, assentamento e guarda.
  3. Nos dias de gira, reze cumprindo o seu preceito. O resguardo costuma começar cerca de 24 horas antes, com alimentação mais leve, sem bebida alcoólica, com abstinência sexual e evitando brigas e ambientes pesados. As regras variam bastante de casa para casa: siga exatamente a orientação do seu dirigente.
  4. Depois de rezar em casa, não force sinal nem tente incorporar. Cante o seu ponto, firme a sua vela, eleve o pensamento, converse mentalmente com o seu guia, mas guarde a passividade de incorporação para a corrente do terreiro.
  5. Anote num caderno o que sentiu, o que sonhou e o que estranhou, com data. Leve isso ao dirigente e conte a verdade inteira, inclusive quando não sentir nada. Fingir transe atrasa o desenvolvimento e ninguém se engana por muito tempo.
  6. Estude com constância. Leia sobre a sua casa, sobre as linhas, sobre a doutrina, pergunte nas aulas e ouça os médiuns mais antigos. Na Umbanda, estudo não é enfeite do desenvolvimento, é parte dele.
  7. Faça caridade fora do terreiro, no trabalho, na rua, dentro de casa. A tradição entende a mediunidade como tarefa de caridade, e quem se desenvolve de verdade muda o jeito de tratar as pessoas.
  8. Se aparecerem tontura, desmaio, palpitação, insônia persistente, medo intenso, confusão mental, vozes que não silenciam ou ideias de se machucar, procure um médico ou psicólogo e avise o seu dirigente. Fé e tratamento caminham juntos, e se vier a ideia de desistir da vida, ligue agora para o CVV no 188, que atende de graça a qualquer hora.

Quando rezar

Reze todos os dias, no seu momento de oração, e principalmente antes de sair para a gira de desenvolvimento e ao voltar do terreiro. Muitos rezam também na sexta-feira, dia associado a Oxalá em boa parte das casas de Umbanda, vestindo branco, e nos dias de preceito ou de obrigação marcados pela casa.

Perguntas frequentes

Qual oração fazer para desenvolver a mediunidade?
Reza-se pedindo a Deus, a Oxalá, ao Anjo da Guarda e ao guia chefe humildade para aprender devagar, sinceridade para dizer o que sente e o que não sente, paciência com o próprio tempo e disciplina para o preceito e o estudo. Reze todos os dias e antes de cada gira de desenvolvimento, sem pedir dom nem destaque e sem forçar sinal em casa.
O que é desenvolvimento mediúnico na Umbanda?
É o processo de lapidação da faculdade mediúnica dentro de uma casa, conduzido pelo dirigente e pela espiritualidade. O médium aprende a reconhecer as sensações, a identificar quem chega, a sustentar a corrente e a doar com segurança. As etapas variam de casa para casa: algumas descrevem irradiação, incorporação e firmeza, e outras falam do domínio progressivo das faculdades sensoriais, motoras e psíquicas.
Posso desenvolver a mediunidade sozinho em casa?
A orientação dos umbandistas sérios é que não. Desenvolvimento pede ambiente preparado, corrente firmada e alguém observando de fora, porque quem está começando fica muito passivo e vulnerável. Em casa você pode e deve rezar, acender vela, cantar ponto, estudar e conversar mentalmente com os seus guias, mas sem dar passividade de incorporação fora da casa.
Quanto tempo leva o desenvolvimento mediúnico?
Não existe prazo fixo e ninguém honesto promete um. Costuma levar meses e muitas vezes anos, e depende da casa, da tarefa, do preparo emocional e da constância do médium. O guia chefe e o dirigente avaliam o transe ao longo do tempo e decidem quando liberar o médium para servir na gira ou estender o período de desenvolvimento.
Sou consciente na hora da incorporação, isso é animismo?
Consciência no transe é normal e não significa fraude. A própria literatura umbandista e espírita afirma que médium totalmente inconsciente é raríssimo e que quase todo mundo começa muito anímico, com o próprio psiquismo ocupando boa parte do trabalho. Quanto mais a pessoa se vigia com medo de inventar, mais interfere. O caminho é contar isso ao dirigente com sinceridade, e não fingir apagamento.
Por que eu não incorporo e os outros médiuns já incorporam?
Porque cada cabeça tem tempo, tipo e tarefa diferentes. Há médium de incorporação, de intuição, de vidência, de audiência, de transporte, e há quem sirva melhor como cambono ou no canto e na curimba. Comparação é a fonte mais comum de sofrimento no desenvolvimento e não mede nada. Fale da sua angústia com o dirigente em vez de forçar o que não veio.
Qual a diferença entre o Anjo da Guarda e o guia chefe?
A tradição os trata como coisas distintas. O Anjo da Guarda é entendido como o espírito de guarda que acompanha a pessoa desde o nascimento, ligado à sua proteção pessoal. O guia chefe é o mentor que responde pela tarefa mediúnica, conduz a linha de trabalho e prepara o médium para servir. Em algumas casas a nomenclatura muda, então confirme como a sua usa esses termos.
Que preceito o médium em desenvolvimento precisa cumprir?
O mais citado é o resguardo iniciado cerca de 24 horas antes da gira, com alimentação mais leve, sem bebida alcoólica, com abstinência sexual, evitando discussões e ambientes pesados, e banho de ervas antes de sair. As exigências divergem bastante entre terreiros, e o que vale para você é o preceito da sua casa, dito pelo seu dirigente.
Qual a cor da vela para pedir desenvolvimento da mediunidade?
A vela branca é a mais usada, por ser a cor de Oxalá, da paz e do assentamento da coroa, e também a mais indicada para o Anjo da Guarda. Algumas casas orientam acender também a vela do Orixá de cabeça ou da linha do guia chefe. Siga o costume da sua casa e acenda sempre em base segura, sobre um pires.
Toda pessoa tem mediunidade?
Na leitura umbandista, sim, em graus e formas diferentes. Mediunidade é tratada como faculdade natural do espírito, não como privilégio nem como castigo. O que distingue o médium de terreiro é a decisão de educar essa faculdade dentro de uma casa e colocá-la a serviço da caridade, com disciplina e estudo.
Ouvir vozes e sentir coisas estranhas é sempre mediunidade?
Não, e afirmar isso com certeza é irresponsável. Pode ser sensibilidade despertando, e pode ser questão de saúde física ou mental, tema que a psiquiatria brasileira estuda há décadas justamente para distinguir experiência espiritual de sintoma. Se houver tontura, desmaio, insônia persistente, palpitação, medo intenso ou confusão mental, procure avaliação médica e avise o seu dirigente.
Pode pagar para abrir ou acelerar a mediunidade?
Desconfie. Cobrança para abrir mediunidade, garantir incorporação em poucas semanas ou revelar o seu guia mediante pagamento não é fundamento, é comércio. Desenvolvimento sério acontece com o tempo da casa, sob orientação do dirigente, e a Umbanda tem na caridade gratuita o seu próprio fundamento.

Fonte: Desenvolvimento mediúnico na Umbanda, Umbanda Eu Curto, Animismo e desenvolvimento mediúnico na Umbanda, Umbanda Eu Curto, Posso desenvolver a mediunidade em casa?, Alma de Poeta, O desenvolvimento mediúnico na Umbanda, uma compreensão junguiana, Estudos de Religião, Universidade Metodista de São Paulo, Preceitos e Resguardos, Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira, Mediunidade ou doença mental?, Revista Debates em Psiquiatria, Associação Brasileira de Psiquiatria

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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