Oração para Desenvolver a Mediunidade
Prece de quem está em desenvolvimento no terreiro, com Oxalá, o Anjo da Guarda e o guia chefe

A oração para desenvolver a mediunidade é a prece de quem está começando a lapidar a faculdade mediúnica na Umbanda: pede a Deus, a Oxalá, ao Anjo da Guarda e ao guia chefe humildade, sinceridade, paciência e disciplina para aprender no tempo certo. Reze todos os dias e antes de cada gira de desenvolvimento, sem forçar sinal e sempre sob a orientação do dirigente da sua casa.
Oração para Desenvolver a Mediunidade
O significado desta oração
Desenvolver a mediunidade na Umbanda não é ganhar um poder, é lapidar uma faculdade que a tradição entende como natural do espírito. O ensinamento mais repetido nas casas é que a mediunidade não é privilégio de ninguém: todos a têm em algum grau, e o que muda é o tipo, a intensidade e a tarefa. Por isso a prece de quem está em desenvolvimento não pede dom, pede preparo. Desenvolvimento é aprender a sentir sem se assustar, a reconhecer quem chega, a sustentar a corrente, a doar sem se esvaziar e a calar quando é hora de calar. As etapas descritas variam de casa para casa e as listas divergem: há terreiros que falam de irradiação, incorporação e firmeza, e há autores clássicos que descrevem o processo como domínio progressivo das faculdades sensoriais, motoras e psíquicas, começando pelo frio na espinha, pelas mãos geladas e pelo braço que trava sem explicação.
A segunda coisa que a tradição afirma com clareza é que isso não se faz sozinho em casa. Não porque exista segredo guardado a sete chaves, mas porque desenvolvimento pede lugar preparado, corrente firmada, assentamentos e alguém de fora olhando de perto. Quem está começando fica passivo e receptivo, e passividade sem cobertura é porta aberta. Em casa cabe muita coisa: prece diária, vela ao Anjo da Guarda, ponto cantado baixinho, leitura, elevação do pensamento, conversa mental com o guia. O que não cabe é dar passividade de incorporação fora da casa e sem a corrente. O dirigente e o guia chefe conduzem o ritmo, avaliam o transe ao longo de meses e decidem quando o médium é liberado para servir na gira ou quando o desenvolvimento precisa de mais tempo. Esse tempo não é castigo, é cuidado.
A parte mais dolorida do desenvolvimento quase nunca é espiritual, é emocional. Vem a ansiedade de não sentir nada, a comparação com o médium do lado que já baixa Preto-Velho, a vergonha de estar consciente, o medo de estar inventando. Aqui a tradição é bem honesta: médium totalmente inconsciente é raríssimo, e praticamente todo mundo começa muito anímico, com o próprio eu interferindo na maior parte do trabalho. Quanto mais a pessoa se vigia por medo de inventar, mais o psiquismo dela ocupa espaço. O caminho não é mentir que apagou, é dizer a verdade ao dirigente, inclusive a verdade chata de que não veio nada naquele dia. Sinceridade é fundamento de desenvolvimento. Junto dela andam a humildade, o preceito cumprido sem drama, o estudo constante e a caridade fora do terreiro, porque de nada serve incorporar bem na gira e ser uma pessoa difícil na segunda-feira. O Anjo da Guarda, nesse conjunto, não é a mesma coisa que a entidade: a tradição o entende como o espírito de guarda que acompanha a pessoa, enquanto o guia chefe é o mentor que responde pela tarefa e conduz a linha de trabalho.
Existe ainda um ponto que precisa ser dito sem rodeio, porque salva vida. Sensação estranha, tontura, desmaio, insônia, palpitação, ouvir vozes, medo intenso ou pensamento confuso não são automaticamente sinal de mediunidade aflorando. Podem ser, e a Umbanda séria não nega isso, mas também podem ser questão de saúde física ou mental, e a psiquiatria brasileira estuda há décadas justamente a diferença entre experiência espiritual e sintoma psicopatológico. Terreiro sério não disputa com médico. Se os sintomas forem fortes, persistentes, atrapalharem o trabalho, o sono ou a convivência, procure avaliação profissional e continue rezando: uma coisa não desmente a outra. E desconfie sempre de quem cobra dinheiro prometendo abrir a sua mediunidade rápido, garantir incorporação em poucas semanas ou revelar o seu guia mediante pagamento. Isso não é fundamento, é comércio.
Como rezar
- Reze de manhã ou à noite, sempre no mesmo horário, para que a prece se torne hábito. Fique de pé ou sentado com a coluna apoiada e respire fundo três vezes antes de começar.
- Se quiser, acenda uma vela branca em local seguro, sobre um pires, longe de cortinas, e nunca deixe queimando sem alguém em casa. O branco é a cor de Oxalá e a mais indicada para pedido de paz, assentamento e guarda.
- Nos dias de gira, reze cumprindo o seu preceito. O resguardo costuma começar cerca de 24 horas antes, com alimentação mais leve, sem bebida alcoólica, com abstinência sexual e evitando brigas e ambientes pesados. As regras variam bastante de casa para casa: siga exatamente a orientação do seu dirigente.
- Depois de rezar em casa, não force sinal nem tente incorporar. Cante o seu ponto, firme a sua vela, eleve o pensamento, converse mentalmente com o seu guia, mas guarde a passividade de incorporação para a corrente do terreiro.
- Anote num caderno o que sentiu, o que sonhou e o que estranhou, com data. Leve isso ao dirigente e conte a verdade inteira, inclusive quando não sentir nada. Fingir transe atrasa o desenvolvimento e ninguém se engana por muito tempo.
- Estude com constância. Leia sobre a sua casa, sobre as linhas, sobre a doutrina, pergunte nas aulas e ouça os médiuns mais antigos. Na Umbanda, estudo não é enfeite do desenvolvimento, é parte dele.
- Faça caridade fora do terreiro, no trabalho, na rua, dentro de casa. A tradição entende a mediunidade como tarefa de caridade, e quem se desenvolve de verdade muda o jeito de tratar as pessoas.
- Se aparecerem tontura, desmaio, palpitação, insônia persistente, medo intenso, confusão mental, vozes que não silenciam ou ideias de se machucar, procure um médico ou psicólogo e avise o seu dirigente. Fé e tratamento caminham juntos, e se vier a ideia de desistir da vida, ligue agora para o CVV no 188, que atende de graça a qualquer hora.
Quando rezar
Reze todos os dias, no seu momento de oração, e principalmente antes de sair para a gira de desenvolvimento e ao voltar do terreiro. Muitos rezam também na sexta-feira, dia associado a Oxalá em boa parte das casas de Umbanda, vestindo branco, e nos dias de preceito ou de obrigação marcados pela casa.
Perguntas frequentes
Qual oração fazer para desenvolver a mediunidade?
O que é desenvolvimento mediúnico na Umbanda?
Posso desenvolver a mediunidade sozinho em casa?
Quanto tempo leva o desenvolvimento mediúnico?
Sou consciente na hora da incorporação, isso é animismo?
Por que eu não incorporo e os outros médiuns já incorporam?
Qual a diferença entre o Anjo da Guarda e o guia chefe?
Que preceito o médium em desenvolvimento precisa cumprir?
Qual a cor da vela para pedir desenvolvimento da mediunidade?
Toda pessoa tem mediunidade?
Ouvir vozes e sentir coisas estranhas é sempre mediunidade?
Pode pagar para abrir ou acelerar a mediunidade?
Fonte: Desenvolvimento mediúnico na Umbanda, Umbanda Eu Curto, Animismo e desenvolvimento mediúnico na Umbanda, Umbanda Eu Curto, Posso desenvolver a mediunidade em casa?, Alma de Poeta, O desenvolvimento mediúnico na Umbanda, uma compreensão junguiana, Estudos de Religião, Universidade Metodista de São Paulo, Preceitos e Resguardos, Templo de Umbanda Ogum 7 Ondas e Cabocla Jupira, Mediunidade ou doença mental?, Revista Debates em Psiquiatria, Associação Brasileira de Psiquiatria







