Ponto cantado · Oxóssi (Orixá das matas, da caça e da fartura)

Ponto de Oxóssi: Ele Atirou e Ninguém Viu

Ele atirou, ele atirou e ninguém viu

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Oxóssi (Orixá das matas, da caça e da fartura)Oxóssi

Letra do ponto

Ele atirou, ele atirou e ninguém viu,seu Oxóssi é quem sabe onde a flecha caiu.Ele atirou, ele atirou e ninguém viu,seu Oxóssi é quem sabe onde a flecha caiu.Okê, okê, caboclo,okê arô, meu pai Oxóssi!Okê, okê, caboclo,okê arô, meu pai Oxóssi!

Letra de tradição oral; pode variar de casa para casa.

Significado

Este é um dos pontos de Oxóssi mais antigos e mais espalhados pelos terreiros, de autoria desconhecida e passado de boca em boca, como todo ponto de raiz. Ele aparece em cadernos de ponto de casas de várias regiões e em gravações de giras, sempre com a mesma imagem no centro: o tiro que ninguém viu.

A letra é curta e diz muito. O caçador atira, a flecha some na mata e só ele sabe onde ela caiu. É o retrato de Oxóssi como as casas o descrevem: silencioso, atento, paciente, alguém que age sem alarde e acerta sem precisar mostrar.

A imagem conversa com a história mais conhecida de Oxóssi, a do caçador de uma flecha só. Conta o itã que um grande pássaro ameaçava o reino de Ketu e que muitos caçadores falharam, até que um deles, com uma única flecha, acertou o alvo. Daí vem o nome Otokan Soso, e daí vem a fama de que a flecha de Oxóssi não erra.

Na leitura das casas, a flecha que ninguém viu é a ajuda que chega antes de a gente perceber. O filho pede, segue a vida, e um dia nota que o caminho abriu. Só Oxóssi sabe onde a flecha caiu: o verso ensina confiança e humildade, porque nem tudo o que o sagrado faz precisa ser visto para ser verdadeiro.

Há também uma lição de foco. O caçador não atira a esmo, ele espera, observa e mira. Por isso tantos umbandistas cantam este ponto quando pedem clareza para uma decisão, objetividade no trabalho e sustento, que na tradição é a caça que Oxóssi traz para a mesa.

O refrão chama a falange. Okê caboclo é o grito que saúda os Caboclos da linha de Oxóssi, os espíritos que se apresentam como povos da mata e trabalham com ervas, passes e conselho. Okê arô é a saudação do Orixá, que as casas traduzem como salve o Rei. A grafia muda nos cadernos, como Okê Arô, Oke Aro ou Okearô, e nenhuma delas é errada.

Oxóssi é o Orixá das matas, da caça, da fartura e do conhecimento, e na Umbanda comanda a linha dos Caboclos. O verde é a cor mais lembrada para ele, e o sincretismo mais conhecido é com São Sebastião, o santo representado ferido de flechas. Na Bahia e em algumas raízes, ele aparece ligado a São Jorge.

Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que cantam só Oxóssi é quem sabe, outras que trocam o nome do Orixá pelo de um Caboclo da casa, como Pena Branca ou Sete Flechas, e outras que emendam a saudação com outro ponto da mata. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.

Quando se canta

Na gira de Oxóssi e na chamada da linha de Caboclos, quando a curimba saúda o caçador e a corrente responde com o okê. É um ponto curto, de refrão fácil, que a gira inteira aprende na primeira vez que ouve.

Muitas casas cantam também nos trabalhos de mata, na firmeza da linha de Caboclos e nas festas de Oxóssi, sobretudo em 20 de janeiro, dia de São Sebastião, com quem ele é sincretizado em boa parte do Brasil. A quinta feira é o dia mais citado para ele.

O toque varia conforme a raiz da casa. Há curimbas que levam este ponto num toque de caboclo mais firme e outras que o cantam mais cadenciado. O ritmo, a ordem dos pontos e o número de repetições são sempre do dirigente e do ogã.

Perguntas frequentes

O que significa o ponto de oxóssi: ele atirou e ninguém viu?
Este é um dos pontos de Oxóssi mais antigos e mais espalhados pelos terreiros, de autoria desconhecida e passado de boca em boca, como todo ponto de raiz. Ele aparece em cadernos de ponto de casas de várias regiões e em gravações de giras, sempre com a mesma imagem no centro: o tiro que ninguém viu. A letra é curta e diz muito. O caçador atira, a flecha some na mata e só ele sabe onde ela caiu. É o retrato de Oxóssi como as casas o descrevem: silencioso, atento, paciente, alguém que age sem alarde e acerta sem precisar mostrar. A imagem conversa com a história mais conhecida de Oxóssi, a do caçador de uma flecha só. Conta o itã que um grande pássaro ameaçava o reino de Ketu e que muitos caçadores falharam, até que um deles, com uma única flecha, acertou o alvo. Daí vem o nome Otokan Soso, e daí vem a fama de que a flecha de Oxóssi não erra. Na leitura das casas, a flecha que ninguém viu é a ajuda que chega antes de a gente perceber. O filho pede, segue a vida, e um dia nota que o caminho abriu. Só Oxóssi sabe onde a flecha caiu: o verso ensina confiança e humildade, porque nem tudo o que o sagrado faz precisa ser visto para ser verdadeiro. Há também uma lição de foco. O caçador não atira a esmo, ele espera, observa e mira. Por isso tantos umbandistas cantam este ponto quando pedem clareza para uma decisão, objetividade no trabalho e sustento, que na tradição é a caça que Oxóssi traz para a mesa. O refrão chama a falange. Okê caboclo é o grito que saúda os Caboclos da linha de Oxóssi, os espíritos que se apresentam como povos da mata e trabalham com ervas, passes e conselho. Okê arô é a saudação do Orixá, que as casas traduzem como salve o Rei. A grafia muda nos cadernos, como Okê Arô, Oke Aro ou Okearô, e nenhuma delas é errada. Oxóssi é o Orixá das matas, da caça, da fartura e do conhecimento, e na Umbanda comanda a linha dos Caboclos. O verde é a cor mais lembrada para ele, e o sincretismo mais conhecido é com São Sebastião, o santo representado ferido de flechas. Na Bahia e em algumas raízes, ele aparece ligado a São Jorge. Como todo ponto de tradição oral, este tem muitas versões. Há casas que cantam só Oxóssi é quem sabe, outras que trocam o nome do Orixá pelo de um Caboclo da casa, como Pena Branca ou Sete Flechas, e outras que emendam a saudação com outro ponto da mata. A versão que a sua gira canta é a que vale para você.
Quando se canta esse ponto?
Na gira de Oxóssi e na chamada da linha de Caboclos, quando a curimba saúda o caçador e a corrente responde com o okê. É um ponto curto, de refrão fácil, que a gira inteira aprende na primeira vez que ouve. Muitas casas cantam também nos trabalhos de mata, na firmeza da linha de Caboclos e nas festas de Oxóssi, sobretudo em 20 de janeiro, dia de São Sebastião, com quem ele é sincretizado em boa parte do Brasil. A quinta feira é o dia mais citado para ele. O toque varia conforme a raiz da casa. Há curimbas que levam este ponto num toque de caboclo mais firme e outras que o cantam mais cadenciado. O ritmo, a ordem dos pontos e o número de repetições são sempre do dirigente e do ogã.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode, com respeito e fé. Os pontos cantados são orações em forma de música; cantar em casa ajuda a firmar a fé e a sintonia. Para trabalhos de terreiro, siga sempre a orientação do dirigente da sua casa, pois cada terreiro tem seu fundamento e a letra pode variar.
A letra é sempre igual?
Não. Os pontos são de tradição oral e variam de casa para casa, com pequenas diferenças de letra e melodia. A versão aqui é uma das mais conhecidas; a da sua casa pode ter variações.
Qual a letra do ponto Ele atirou e ninguém viu?
A versão mais cantada diz: ele atirou, ele atirou e ninguém viu, seu Oxóssi é quem sabe onde a flecha caiu, e fecha com o refrão okê, okê, caboclo, okê arô, meu pai Oxóssi. Cada parte costuma ser repetida duas vezes. Como todo ponto de raiz, a letra muda um pouco de casa para casa.
O que significa esse ponto de Oxóssi?
Ele fala do caçador que age em silêncio e acerta sem alarde. A flecha que ninguém viu é lida pelas casas como a ajuda que chega antes de a gente perceber, e o verso só Oxóssi sabe onde a flecha caiu ensina confiança, foco e humildade diante do sagrado.
Por que se diz que a flecha de Oxóssi não erra?
Por causa do itã do caçador de uma flecha só. Conta a história que um grande pássaro ameaçava o reino de Ketu e muitos caçadores falharam, até que Oxóssi acertou o alvo com uma única flecha. Por isso ele é chamado de Otokan Soso, e a flecha virou símbolo de mira certa e objetivo claro.
O que quer dizer okê arô e okê caboclo?
Okê arô é a saudação de Oxóssi, de origem iorubá, que as casas costumam traduzir como salve o Rei. Okê caboclo é o chamado da falange dos Caboclos que trabalham na linha dele. As duas aparecem juntas no refrão e são respondidas pela corrente inteira.
Quando se canta esse ponto na gira?
Na gira de Oxóssi, na chamada da linha de Caboclos, nos trabalhos de mata e nas festas do Orixá, como o 20 de janeiro. A ordem dos pontos, o toque e as repetições são sempre definidos pelo dirigente e pelo ogã da casa.
Quem é Oxóssi na Umbanda?
Oxóssi é o Orixá das matas, da caça, da fartura e do conhecimento, chamado de Rei das Matas. Na Umbanda ele comanda a linha dos Caboclos e é procurado para pedir saúde, sustento, foco e caminho aberto. O verde é a cor mais citada e a quinta feira é o dia mais lembrado.
Por que Oxóssi é ligado a São Sebastião?
Porque São Sebastião é representado ferido de flechas, e a flecha é o grande símbolo de Oxóssi. Esse sincretismo é o mais conhecido, sobretudo no Rio de Janeiro e no Sudeste, com festa em 20 de janeiro. Na Bahia e em algumas raízes, Oxóssi aparece ligado a São Jorge.
Esse ponto tem autor?
Não há autoria conhecida. Ele é de tradição oral, foi passado de terreiro para terreiro e aparece em cadernos de ponto e gravações de giras de muitas regiões, com pequenas diferenças de letra e melodia. O vídeo indicado aqui traz uma dessas versões, com crédito ao canal que a publicou.
Posso cantar esse ponto em casa?
Pode. Cantar ponto com respeito, como saudação e oração, é costume antigo, e muita gente canta para Oxóssi ao acender uma vela verde pedindo foco e fartura. O que não se faz por conta própria é abrir gira, chamar Caboclo para incorporar ou conduzir trabalho. Para isso, procure uma casa séria.
Conteúdo informativo e de fé. Os pontos cantados são de tradição oral e variam de casa para casa, na letra e na melodia. Os vídeos são de canais do YouTube, com os devidos créditos, e cada autor mantém os direitos da sua gravação. Para o uso ritual, siga sempre a orientação do dirigente do seu terreiro.
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