Em poucas palavras
Xirê é uma palavra iorubá que quer dizer roda, ou brincadeira, e dá nome à sequência de cantos e danças que abre as festas públicas do Candomblé. Na roda, os filhos de santo dançam em círculo ao som dos atabaques e cantam para cada Orixá, um por um, em ordem, chamando todos para a festa.
É no xirê que a comunidade inteira saúda os Orixás da casa antes de qualquer outro momento da celebração. Entender o xirê é entender como o Candomblé organiza a festa e o respeito aos Orixás.
Resposta rápida
Xirê é a roda de cantos e danças que abre a festa no Candomblé. Os filhos de santo dançam em círculo, ao som dos atabaques, e cantam para cada Orixá em ordem, normalmente começando por Ogum e terminando em Oxalá. É o momento em que todos os Orixás são chamados e saudados antes da parte principal da festa.
O que a palavra quer dizer
Xirê vem do iorubá, a língua do povo do sudoeste da Nigéria e do Benim que trouxe para o Brasil o culto aos Orixás. Pesquisadores traduzem a palavra como roda, ou como dança para chamar os Orixás, conforme cada nação de Candomblé. Há também quem a ligue à ideia de brincar, de festejar.
No terreiro, as duas ideias se encontram: o xirê é festa e é fundamento ao mesmo tempo. É alegria de quem dança e é reza de quem chama.
Como funciona o xirê
- A roda. Os filhos de santo formam um círculo no barracão e dançam juntos, na maioria das casas no sentido contrário aos ponteiros do relógio.
- Os atabaques. Os ogãs tocam os atabaques e puxam as cantigas, e a roda responde.
- Um Orixá de cada vez. Para cada Orixá há cantigas próprias, com toque e passos próprios, que lembram as suas histórias.
- A chegada dos Orixás. Durante o xirê, os Orixás podem se manifestar nos seus filhos. Em muitas casas, eles são levados depois para se vestir e voltam ao barracão para dançar.
A ordem dos Orixás no xirê
Antes do xirê, muitas casas fazem o padê de Exu, para pedir licença e abrir os caminhos. Depois, a roda começa. Uma sequência registrada por pesquisadores do Candomblé Ketu é esta:
- Ogum
- Oxóssi
- Obaluaê
- Ossaim
- Oxumarê
- Xangô
- Oxum
- Iansã
- Nanã
- Iemanjá
- Oxalá
A ordem muda de nação para nação e de casa para casa. O que quase sempre se repete é começar pelos Orixás que abrem caminhos e terminar em Oxalá, o mais velho, o pai da criação.
Por que a roda é fundamento
A roda não é enfeite. Muitas casas explicam que girar contra os ponteiros do relógio é voltar no tempo, em direção aos ancestrais e à origem da tradição. Dançar junto, em círculo, também forma uma corrente em que ninguém fica de fora e ninguém está acima de ninguém.
No xirê, cada pessoa saúda todos os Orixás, e não só o seu. É um jeito de lembrar que o axé da casa é coletivo e que todos os Orixás merecem respeito.
Xirê na Umbanda
O xirê é próprio do Candomblé, e Umbanda e Candomblé são religiões diferentes. Mas a palavra aparece em casas de Umbanda de raiz africana, como as de Omolocô, e muitas giras de Umbanda também formam roda e cantam para as linhas em sequência.
Na gira de Umbanda, o que mais se parece com o xirê é a abertura, quando a curimba saúda Oxalá e as linhas da casa com os pontos cantados, antes da chegada dos guias. Cada terreiro tem o seu jeito, e quem ensina é o dirigente.
Em resumo
Xirê é a roda de cantos e danças que abre as festas de Candomblé, saudando os Orixás em ordem, de Ogum a Oxalá, ao som dos atabaques. É festa e é fundamento: chama os Orixás, une a comunidade e lembra que todos os Orixás merecem respeito. Na Umbanda, a palavra aparece em casas de raiz africana, e a abertura da gira cumpre um papel parecido.
Perguntas frequentes
O que significa xirê?
Xirê é uma palavra iorubá que quer dizer roda, ou dança para chamar os Orixás. Dá nome à sequência de cantos e danças que abre as festas públicas do Candomblé.
Qual a ordem dos Orixás no xirê?
Varia de casa para casa. Uma ordem registrada no Candomblé Ketu começa em Ogum e segue com Oxóssi, Obaluaê, Ossaim, Oxumarê, Xangô, Oxum, Iansã, Nanã e Iemanjá, terminando em Oxalá. Antes, muitas casas fazem o padê de Exu.
Por que o xirê gira no sentido anti horário?
Muitas casas explicam que girar contra os ponteiros do relógio é voltar no tempo, em direção aos ancestrais e à origem da tradição. O sentido pode variar de casa para casa.
Xirê existe na Umbanda?
O xirê é próprio do Candomblé, mas a palavra aparece em casas de Umbanda de raiz africana, como as de Omolocô. Na gira de Umbanda, a abertura com os pontos cantados cumpre um papel parecido.
Quem pode dançar no xirê?
Em geral, os filhos de santo da casa, vestidos com as roupas de festa. Visitantes assistem com respeito, a não ser que a casa convide. Cada terreiro tem as suas regras.
O Orixá chega durante o xirê?
Pode chegar. Durante as cantigas, os Orixás costumam se manifestar nos seus filhos. Em muitas casas, eles são levados depois para se vestir e voltam para dançar.
Qual a diferença entre xirê e gira?
Xirê é a roda de abertura das festas de Candomblé, dedicada aos Orixás. Gira é o nome dos trabalhos de Umbanda, em que trabalham os Orixás e os guias, como Caboclos e Pretos Velhos.
Posso assistir a um xirê?
Muitas festas de Candomblé são abertas ao público. Vá com roupa clara e discreta, peça licença ao chegar, siga as orientações da casa e não fotografe sem permissão.
Fontes e referências
Referências citadas neste artigo.
- É de comer rezando: uma análise do Ipeté de Oxum, Revista Mangút, UFRJ
- Xirê Odara: a festa do corpo negro em movimento na dança dos Orixás, UFRN
- O xirê dos Orixás, Repositório da UFU
Conteúdo informativo e de fé, escrito com respeito à tradição e baseado nas fontes citadas. A Umbanda varia de casa para casa; em caso de dúvida, procure sempre o dirigente do seu terreiro. Este texto não substitui orientação médica, jurídica ou psicológica.
Sobre os autores
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan
Weverton Pansan e Maria Amélia Pansan são médiuns de um terreiro de Umbanda em São Paulo e mantêm o Axé Umbanda com fundamento, respeito à tradição e fontes confiáveis.
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