Vela roxa e branca
Sabedoria ancestral, serenidade e transmutação com paz

A vela roxa e branca é uma vela bicolor ligada, em muitas casas de Umbanda, a Nanã, a avó dos Orixás, senhora da sabedoria ancestral e das águas paradas, com o branco de Oxalá trazendo paz e luz. Ela é acesa para pedir serenidade, paciência, cura da alma, transmutação de energias pesadas e amparo nos fins de ciclo. O costume muda de terreiro para terreiro.
O que a tradição diz
Na leitura mais conhecida das cores da Umbanda, o branco é de Oxalá e fala de paz, pureza e luz. O roxo, e o lilás, que é o seu tom mais claro, é lembrado como a cor da sabedoria dos ancestrais, da paciência, da introspecção e da transmutação. Juntas, as duas cores falam de uma transformação que acontece com calma e amparo.
A ligação mais difundida do roxo e do lilás é com Nanã, a Iabá mais antiga e sábia, senhora dos pântanos, da lama e das águas paradas. As cores de Nanã mais citadas são o roxo, o lilás e o branco, e há relatos de fios de contas de Nanã feitos justamente em branco e roxo. Por isso a vela roxa e branca é tão associada a ela.
Nanã é lembrada como a guardiã do portal entre a vida e a morte, a que acolhe as almas que partem e ensina a esperar o tempo certo das coisas. Na Umbanda ela é sincretizada com Sant'Ana, a avó de Jesus, e celebrada no dia 26 de julho. É uma energia de avó: firme, paciente e acolhedora.
Por causa disso, a vela roxa e branca costuma ser acesa para pedir serenidade em tempos difíceis, paciência para esperar, sabedoria para decidir, cura da alma e transmutação de energias pesadas. Também é escolhida para pedir amparo nos fins de ciclo, como o luto, a mudança de fase da vida e a velhice, e para orar pelos idosos da família.
Há variações. Em algumas casas o roxo também é ligado a Obaluaê, o Orixá da cura, que tem o preto e o branco como cores mais conhecidas. Em outras, o lilás fica só com Nanã e o roxo mais escuro com outras forças. Há terreiros que preferem acender para Nanã apenas a vela branca ou a lilás. Olhar o costume da sua casa ajuda a entender para quem a vela vai.
A combinação bicolor, em si, não tem um fundamento único escrito: ela soma o sentido de cada cor. O que se apresenta aqui é o costume mais difundido. Quem pode dizer para quem a sua casa acende a vela roxa e branca é o seu dirigente.
O que fazer
- Use para pedir serenidade, paciência, sabedoria nas decisões, cura da alma, transmutação de energias pesadas e amparo nos fins de ciclo, e para agradecer a Nanã por uma graça recebida.
- O sábado é o dia mais citado para Nanã, e algumas casas usam a segunda feira. O dia 26 de julho, de Nanã e de Sant'Ana, é a data festiva mais lembrada. Siga sempre o que o seu terreiro ensina.
- Acenda com intenção clara, sem pressa e com recolhimento. A energia de Nanã pede calma: faça o pedido em poucas palavras e deixe o tempo trabalhar.
- Muita gente acompanha a vela com um copo de água ao lado e uma oração ou saudação, como Saluba Nanã. Há quem coloque perto flores lilases ou brancas e faça uma prece pelos avós e pelos ancestrais da família.
- Antes de acender, se sentir o peito pesado, um banho de ervas suaves, como alfazema ou manjericão, do pescoço para baixo ajuda a se preparar. Lavar a cabeça com ervas é amaci, e isso se faz com orientação da sua casa.
- Acenda em local seguro, sobre um pires ou prato de louça, longe de cortinas, papéis, tomadas e do alcance das crianças e dos bichos da casa, e nunca deixe a vela acesa sozinha nem durante o sono.
- Oferendas a Nanã, trabalhos de cura e firmezas de Orixá pedem preparo. Se a intenção for além de uma vela de pedido, converse antes com o seu dirigente.
Atenção às causas naturais
Antes de tudo, observe o simples. A leitura das cores das velas é tradição, não dogma, e o roxo muda de dono de casa para casa. A vela firma a intenção e ajuda a manter o pensamento na paz, mas não resolve sozinha uma dor: no luto, na doença ou na tristeza que não passa, procurar apoio de pessoas próximas e de profissionais de saúde faz parte do caminho, e a vela não substitui orientação médica nem psicológica. Também vale lembrar que velas bicolores costumam ter cera tingida em camadas e por isso é comum que queimem de modo irregular ou chorem mais de um lado. Se faltar a vela bicolor, a branca serve para qualquer pedido feito com fé.
Perguntas frequentes
Para que serve a vela roxa e branca?
A vela roxa e branca é de qual Orixá?
Qual o significado de cada cor na vela bicolor?
Vela roxa e vela lilás são a mesma coisa?
Qual o dia de acender a vela roxa e branca?
Posso acender vela roxa e branca por alguém que faleceu?
Qual a diferença entre vela roxa e vela roxa e branca?
Posso acender vela roxa e branca em casa?
A vela roxa e branca chorou ou queimou torta. É sinal ruim?
Fonte: As 7 cores da Umbanda: significados e guia completo, Cidesp, Nanã: quem é, história e características da Orixá, Significados, Qual Orixá gosta de roxo?, Auditório Ibirapuera






