Reza · Axé Umbanda

Oração a São Roque

Ao peregrino de Montpellier que cuidou dos doentes da peste, protetor contra as epidemias, dos enfermos e dos animais

Oração: Oração a São Roque
Resposta rápida

A oração a São Roque pede saúde, proteção contra as doenças e amparo para quem sofre no corpo. Roque foi um peregrino do século XIV que cuidou dos doentes da peste, adoeceu e foi socorrido por um cão que lhe levava pão. É lembrado em 16 de agosto, e muitas casas de Umbanda o ligam a Obaluaê. Reze com uma vela branca.

Oração a São Roque

São Roque, peregrino da caridade,que deixastes a riqueza para servir os pobrese caminhastes de cidade em cidadelevando cuidado a quem ninguém queria tocar,eu venho a vós com humildade.Vós que conhecestes a febre e a ferida no próprio corpo,olhai por mim e por todos os que estão doentes.Afastai da minha casa a peste, a epidemia e o contágio,fechai as portas do meu lar à doença,e abri as janelas para a saúde entrar.Assim como no meio da florestaum cão fiel vos levou o pão de cada dia,não deixeis faltar a ninguémo alimento, o remédio e a mão amiga.Protegei os meus animais e todos os bichosque sofrem sem saber dizer onde dói.Dai coragem aos que estão isolados e sozinhos,paciência aos que esperam a cura,e força aos que cuidam dos enfermos.Pela palha sagrada de Obaluaê, senhor da terra e da cura,pela luz de Oxalá, Pai da vida,e pela caridade dos Pretos Velhos e dos guias de luz,que a minha saúde se firmee que eu também saiba servir a quem precisa.São Roque, rogai por nós.Atotô, Obaluaê. Assim seja.

O significado desta oração

São Roque é um dos santos mais antigos invocados contra a peste e as epidemias. A tradição conta que ele nasceu em Montpellier, no sul da França, por volta do começo do século XIV, filho de uma família rica e importante da cidade. As datas variam bastante entre os autores, e muito da sua vida chegou até nós por relatos devocionais.

Segundo esses relatos, ele perdeu os pais ainda jovem, repartiu a herança entre os pobres e partiu como peregrino a caminho de Roma, com cajado, chapéu e capa. No caminho encontrou cidades italianas tomadas pela peste e decidiu ficar para cuidar dos doentes, que muitos abandonavam por medo do contágio.

Em Piacenza, o próprio Roque pegou a doença. Para não contaminar ninguém, retirou-se para uma cabana na floresta. Ali, conta a tradição, um cão começou a aparecer todos os dias trazendo um pedaço de pão e lambendo as feridas dele. O dono do cão, um homem chamado Gothard, seguiu o animal, encontrou o peregrino e passou a ajudá-lo.

Já curado, Roque voltou à França. Sem revelar quem era, foi tomado por espião e preso, e morreu na prisão anos depois. Só então foi reconhecido, e a fama dos milagres ligados a ele se espalhou pela Europa. Em 1414, durante uma peste na cidade de Constança, procissões em sua honra marcaram a devoção, e suas relíquias são veneradas em Veneza.

Por essa história, São Roque é padroeiro dos doentes e dos inválidos, dos cirurgiões, dos peregrinos e, por causa do cão fiel, dos cães e dos animais. Nas imagens ele aparece como peregrino, mostrando uma ferida na perna, com um cão ao lado segurando um pão na boca. A festa dele é em 16 de agosto, e em várias cidades do Brasil há bênção dos animais nesse dia.

Na Umbanda e no Candomblé, São Roque é muito ligado a Obaluaê, o Orixá da terra, das doenças e da cura, que se cobre de palha. O ponto de encontro é claro: os dois carregam no corpo a marca da doença e são chamados para curar. Esse sincretismo, porém, varia de casa para casa.

Há casas que ligam Omulu, o mais velho, a São Lázaro, e Obaluaê, o mais novo, a São Roque. Há casas que usam só São Lázaro, e há regiões em que São Roque é o santo mais lembrado. Sincretismo não quer dizer que o santo e o Orixá sejam a mesma pessoa: cada um tem sua história e seu fundamento, e o certo é seguir o que ensina o seu dirigente.

Esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir da história de São Roque e da fé umbandista na cura e na caridade. As orações tradicionais rezadas nas igrejas continuam válidas, e esta é mais uma forma de pedir saúde, proteção contra as doenças e força para cuidar de quem sofre.

TipoOração autoral
TemaAo peregrino de Montpellier que cuidou dos doentes da peste, protetor contra as epidemias, dos enfermos e dos animais
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Escolha um lugar calmo e limpo. Se tiver uma imagem ou um santinho de São Roque, reze diante dele; se não tiver, reze do mesmo jeito, porque a fé não depende de imagem.
  2. Acenda, se quiser, uma vela branca, que serve sempre. Há casas que usam para Obaluaê velas nas cores dele, como branco e preto ou branco e vermelho, conforme o costume do terreiro. Firme a vela num pires, longe de cortina e de papel, e nunca a deixe acesa sem alguém por perto. Em hospital, não acenda vela: reze em silêncio, que vale igual.
  3. Coloque ao lado um copo de água limpa. Em muitas casas se oferece também um pouco de pipoca estourada sem sal para Obaluaê, mas isso é costume de terreiro: siga a orientação da sua casa. Depois da reza, a água pode ser jogada numa planta ou na terra.
  4. Se estiver rezando por outra pessoa, diga o nome completo dela no começo e pense nela com carinho durante toda a oração. Se for por um animal, diga o nome dele e, se puder, reze com a mão sobre ele.
  5. Reze devagar, em voz baixa. Na parte da cura, coloque a mão sobre o lugar que dói ou sobre o coração e respire fundo antes de seguir.
  6. Quem quiser pode rezar por nove dias seguidos, terminando em 16 de agosto, ou em qualquer época do ano, de preferência no mesmo horário. Quem é católico e não é de terreiro pode deixar de lado as linhas que citam Obaluaê, Oxalá e os guias.
  7. Termine agradecendo e apague a vela com abafador ou deixe que ela termine em segurança. Lembre sempre: a oração conforta e fortalece, mas não substitui orientação médica nem veterinária. Não abandone remédio nem tratamento sem falar com o profissional de saúde.

Quando rezar

Reze em 16 de agosto, dia de São Roque e, em muitas casas, também dia de festa para Obaluaê. Reze também na segunda feira, dia mais citado para Obaluaê e Omulu na Umbanda, em tempos de epidemia, durante uma doença de pele ou uma ferida que demora a fechar, por quem está internado ou isolado e quando um animal da casa adoecer. Ela não substitui orientação médica nem veterinária: reze e siga o tratamento.

Perguntas frequentes

Qual é o dia de São Roque?
São Roque é lembrado em 16 de agosto. Nesse dia muitas igrejas fazem missa e bênção dos animais, e muitas casas de Umbanda e Candomblé festejam Obaluaê.
Quem foi São Roque?
Um peregrino nascido em Montpellier, na França, no século XIV, segundo a tradição. Deu seus bens aos pobres, cuidou dos doentes da peste na Itália, adoeceu, foi socorrido por um cão que lhe levava pão e morreu preso, sem revelar quem era.
Por que São Roque aparece com um cachorro?
Porque, quando ele adoeceu e se isolou na floresta, um cão passou a levar pão para ele todos os dias e a lamber suas feridas. Por isso ele é padroeiro dos cães e dos animais, e o cão com o pão na boca está em quase todas as imagens.
São Roque é padroeiro de quê?
Dos doentes e inválidos, dos que sofrem com epidemias e doenças contagiosas, dos cirurgiões, dos peregrinos e dos cães e outros animais. É invocado sobretudo contra a peste e as doenças de pele.
São Roque é sincretizado com qual Orixá?
Na maior parte das casas, com Obaluaê, o Orixá da cura e das doenças. Há casas que ligam Obaluaê a São Roque e Omulu a São Lázaro, e há casas que usam só São Lázaro. Siga o costume do seu terreiro.
Qual a diferença entre São Roque e São Lázaro na Umbanda?
Os dois são ligados a Obaluaê e Omulu por causa das feridas e da cura. Em muitas casas São Roque fica com Obaluaê, a qualidade mais nova, e São Lázaro com Omulu, a mais velha, mas isso muda de região para região.
Qual vela acender para São Roque?
A vela branca é a mais indicada e serve sempre. Para Obaluaê, há casas que usam branco e preto ou branco e vermelho, conforme o costume. Acenda em base segura, nunca dentro de hospital, e não deixe sem vigilância.
Posso rezar para São Roque por um animal doente?
Pode, e é uma das devoções mais bonitas a ele. Diga o nome do animal, reze com a mão sobre ele se puder e leve o bicho ao veterinário. A oração acompanha o tratamento, não o substitui.
Rezar para São Roque substitui o tratamento?
Não. A oração traz conforto, calma e esperança, mas não substitui orientação médica. Siga o tratamento, tome os remédios como foram receitados e converse com o seu médico. Toda casa séria de Umbanda ensina que fé e cuidado andam juntos.
Essa oração é tradicional ou autoral?
É autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir da história de São Roque e da fé umbandista. As orações tradicionais a São Roque rezadas nas igrejas continuam válidas, e esta é apenas mais uma forma de rezar.

Fonte: São Roque, Enciclopédia Lírio Católico, Saint Roch, Wikipedia, Dia de São Roque, Calendarr, Obaluaê (Omolu): história do Orixá da cura, Significados

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
← Ver todas as rezas