Reza · Axé Umbanda

Oração a São Martinho de Lima

Ao santo da vassoura, filho de mulher negra liberta, para pedir humildade no serviço, cura para os doentes e respeito entre as pessoas

Oração: Oração a São Martinho de Lima
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A oração a São Martinho de Lima pede humildade para servir, cura para quem está doente e um coração que não faz diferença entre as pessoas. Martinho de Porres, filho de um fidalgo espanhol e de uma mulher negra liberta, foi frade enfermeiro em Lima, no Peru. Sua festa é em 3 de novembro, um dia depois de Finados. Reze com uma vela branca.

Oração a São Martinho de Lima

São Martinho de Lima,irmão da vassoura e do remédio,venho até vós com as mãos abertas.Vós que fostes chamado de filho sem nomee mesmo assim não guardastes rancor,ensinai-me a não carregar o peso da desfeita.Que eu saiba varrer da minha casaa poeira da mágoa e a sujeira da vaidade,e que o meu chão fique limpo para Deus passar.Vós que cuidastes dos doentes sem perguntar de onde vinham,olhai por quem está deitado numa cama hoje,por quem espera numa fila de hospital,e por quem cuida dos outros com as mãos cansadas.Dai força aos médicos, às enfermeiras e aos curadores,e paciência a quem não pode mais trabalhar.Vós que pusestes o cão, o gato e o rato no mesmo prato,ensinai-nos a viver em paz com quem é diferente.Que nenhuma cor, nenhuma origem e nenhum dinheirofaça uma pessoa valer mais que a outra.Neste tempo em que lembramos os nossos mortos,levai a vossa luz às almas que partiram sozinhas,aos que morreram sem ninguém e aos que foram esquecidos.Pretos-Velhos, mestres da paciência e da caridade,que conheceis a dor de quem foi humilhado,firmai em mim a humildade que não é fraquezae a bondade que não pede nada em troca.Pela luz de Deus e pela paz de Oxalá,que eu sirva com alegria e descanse em paz.São Martinho de Lima, rogai por nós. Adorei as Almas. Assim seja.

O significado desta oração

Martinho de Porres nasceu em Lima, no Peru, em 9 de dezembro de 1579. O pai era um fidalgo espanhol, Juan de Porres, e a mãe, Ana Velázquez, uma mulher negra liberta vinda do Panamá. O pai demorou a reconhecer o filho, e o menino cresceu pobre e marcado pelo preconceito contra quem era mestiço.

Ainda jovem, aprendeu o ofício de barbeiro, que naquele tempo também tratava ferimentos, fazia curativos e conhecia ervas de cura. Esse saber ele levou para a vida inteira.

Entrou no convento dominicano do Rosário, em Lima, primeiro como ajudante e depois como irmão leigo, por volta de 1603. A regra da época limitava a entrada de pessoas negras e mestiças, e ele aceitou os serviços mais simples sem reclamar.

Cuidou da enfermaria do convento até a morte. Atendia frades, pobres, doentes da rua e escravizados africanos trazidos para Lima, sem perguntar de onde vinham. Ajudou a fundar um abrigo para crianças órfãs e repartia com os famintos o que conseguia.

Andava sempre com uma vassoura, porque varria o convento com gosto, e por isso o povo do Peru o chama até hoje de Fray Escoba, o frei vassoura. A vassoura virou o seu símbolo: santidade feita de serviço pequeno e diário.

A tradição conta também do seu carinho pelos bichos. A história mais famosa diz que ele fez um cão, um gato e um rato comerem em paz no mesmo prato. É uma imagem simples da convivência entre diferentes, e por isso aparece em tantas estampas do santo.

Morreu em 3 de novembro de 1639, e por isso a sua festa é nesse dia. Foi beatificado em 1837 e canonizado em 1962 pelo papa João XXIII. É lembrado como padroeiro da justiça social, da harmonia entre as raças, dos barbeiros e dos trabalhadores da saúde. No Brasil, é conhecido como São Martinho de Lima e é um dos santos negros queridos do povo, ao lado de São Benedito e Santa Efigênia.

Não há uma correspondência fixa entre São Martinho e um Orixá. Nesta oração, ele é rezado junto dos Pretos-Velhos por afinidade de caminho: a humildade, a caridade, a cura com ervas e a dignidade de quem sofreu humilhação. Essa é uma leitura de devoção, não uma regra. Siga o que ensina o seu terreiro.

Esta oração é autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir da vida do santo e da fé umbandista. A Igreja tem as suas orações próprias a São Martinho, que continuam válidas.

TipoOração autoral
TemaAo santo da vassoura, filho de mulher negra liberta, para pedir humildade no serviço, cura para os doentes e respeito entre as pessoas
VelaBranca
OrigemOração do Axé Umbanda

Como rezar

  1. Escolha um lugar calmo e limpo. Se quiser seguir o exemplo do santo, varra antes o cômodo onde vai rezar, com calma, como quem prepara a casa para uma visita.
  2. Acenda, se quiser, uma vela branca, que serve sempre. Firme a vela num pires, longe de cortina e de papel, e nunca a deixe acesa sem alguém por perto.
  3. Coloque ao lado um copo de água limpa. Se estiver rezando por alguém doente, diga o nome da pessoa ao firmar a água. Depois, a água pode ser jogada na terra de um vaso ou de um jardim.
  4. Se tiver uma imagem ou um santinho de São Martinho, reze diante dele. Se não tiver, reze do mesmo jeito, porque a fé não depende de objeto.
  5. Reze devagar, em voz baixa. Faça uma pausa depois de cada parte e lembre os nomes de quem está doente, de quem cuida e de quem já partiu.
  6. Se quiser, faça depois um banho de ervas suaves, como alecrim, manjericão ou erva-doce, sempre do pescoço para baixo. A cabeça tem cuidado próprio, o amaci, que é feito com orientação do terreiro.
  7. A oração conforta quem está doente, mas não substitui consulta, exame nem tratamento médico. Quem é católico e não é de terreiro pode deixar de lado as linhas que citam os Pretos-Velhos e a saudação final. Termine agradecendo e apague a vela com abafador ou deixe que ela termine em segurança.
  8. Uma boa forma de fechar a oração é fazer um gesto de serviço no mesmo dia: visitar um doente, ajudar um vizinho, doar um alimento ou cuidar de um animal. Era assim que São Martinho rezava com as mãos.

Quando rezar

Reze em 3 de novembro, dia de São Martinho, que cai logo depois do Dia de Finados e combina bem com a lembrança dos mortos. Reze também quando alguém da família estiver doente, antes de um plantão, de uma consulta ou de um tratamento, e quando sofrer preconceito ou humilhação. Quem trabalha na saúde, quem cuida de idosos e quem cuida de animais pode rezar a ele em qualquer dia. Muitas casas de Umbanda reservam a segunda-feira às Almas e a sexta aos Pretos-Velhos ou a Oxalá; siga o costume do seu terreiro.

Perguntas frequentes

Quem foi São Martinho de Lima?
Foi Martinho de Porres, frade dominicano nascido em Lima, no Peru, em 1579. Filho de um fidalgo espanhol e de uma mulher negra liberta, cuidou dos doentes e dos pobres a vida toda e é um dos santos negros mais conhecidos do mundo.
São Martinho de Lima e São Martinho de Porres são o mesmo santo?
Sim. Porres é o sobrenome do pai, e Lima é a cidade onde ele nasceu e viveu. No Brasil, o povo costuma chamá-lo de São Martinho de Lima.
Qual é o dia de São Martinho de Lima?
É 3 de novembro, dia em que ele morreu, em 1639. A data cai logo depois do Dia de Finados.
Por que São Martinho aparece com uma vassoura?
Porque varria o convento com alegria e aceitava os trabalhos mais simples. No Peru ele é chamado de Fray Escoba, o frei vassoura. A vassoura virou símbolo da humildade e do serviço.
O que pedir a São Martinho de Lima?
Cura para os doentes, força para quem trabalha na saúde ou cuida de alguém, humildade, paz entre pessoas diferentes e proteção contra o preconceito. Muitos também pedem por animais doentes.
São Martinho é sincretizado com algum Orixá?
Não há uma correspondência fixa. Nesta oração ele é rezado junto dos Pretos-Velhos por afinidade de caminho, pela humildade, pela caridade e pela cura. Cada casa tem o seu entendimento, e há casas que não fazem sincretismo.
Qual vela acender para São Martinho de Lima?
A vela branca é a mais indicada e serve sempre. Acenda em base segura e não deixe sem vigilância.
Posso rezar a São Martinho por um animal doente?
Pode. A tradição fala do seu cuidado com os bichos, e muita gente reza a ele pelos animais. A oração não substitui o veterinário.
Posso rezar por quem já morreu no dia de São Martinho?
Pode. A festa dele vem logo depois de Finados, e esta oração tem uma parte dedicada às almas que partiram sozinhas ou esquecidas.
Essa oração é tradicional ou autoral?
É autoral, escrita para o Axé Umbanda a partir da vida do santo e da fé umbandista. As orações tradicionais da Igreja continuam válidas, e esta é mais uma forma de conversar com ele.

Fonte: São Martinho de Porres: a santidade do serviço, InfoVaticana, St. Martin de Porres, Catholic News Agency, St. Martin de Porres, Dominican lay brother (1579 a 1639), Aleteia, Santos negros simbolizam luta pela igualdade, Tribuna PR

Conteúdo informativo e de fé. As orações e formas de rezar variam de casa para casa. Não substituem a orientação do dirigente do seu terreiro. Reze com fé e respeito.
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