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Ver um arco-íris

Cores no céu depois da chuva: aliança, renovação e a bênção de Oxumaré

Ver um arco-íris
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Na crença popular brasileira, ver um arco-íris é um dos sinais mais bem recebidos: fala de bonança depois da tempestade, de renovação e de promessa cumprida. Na Umbanda e no Candomblé, muita gente lembra de Oxumaré, o Orixá da serpente e do arco-íris, que liga o céu e a terra e faz a vida circular. A leitura varia de casa para casa, e o fenômeno tem uma explicação natural bonita e bem conhecida.

O que a tradição diz

O arco-íris aparece quando o sol volta a brilhar com a chuva ainda no ar. Depois do céu escuro, surge aquela faixa colorida que faz todo mundo parar e apontar. Não é à toa que, em quase todas as culturas, ele virou sinal de coisa boa.

Na tradição cristã, tão presente na fé do povo brasileiro, o arco-íris é o sinal da aliança. No livro do Gênesis, depois do dilúvio, Deus põe o arco nas nuvens como promessa de que a vida vai continuar. Daí vem a leitura mais repetida em muitas casas: depois da tempestade vem a bonança, e o pior já passou.

Nos terreiros, o arco-íris tem dono. Ele é a imagem de Oxumaré, o Orixá representado pela serpente e pelo arco colorido, saudado com Arroboboi. A tradição conta que a função do arco-íris é levar a água da terra até o céu e devolvê-la em chuva, e por isso Oxumaré fala de ciclo, de movimento contínuo, de fertilidade e de prosperidade que não para de girar.

Um mito recolhido por Reginaldo Prandi conta que Oxumaré cortou o céu com seu punhal e fez a chuva parar, e que desde então ele aparece enfeitando o céu na forma de arco-íris. Por isso, ao ver o arco, muita gente saúda Arroboboi e lê ali um recado de renovação: uma fase que se fecha, outra que começa, como a cobra que troca de pele.

O povo também guarda crendices antigas sobre o arco. Há quem diga que no pé dele existe um pote de ouro, há quem chame o fenômeno de arco-da-velha, e os mais velhos de algumas regiões ensinavam que quem passa debaixo do arco-íris troca de sexo. Isso é folclore, contado com graça de geração em geração, e não fundamento de terreiro.

É bom lembrar que Oxumaré é muito cultuado no Candomblé, mas nem toda casa de Umbanda trabalha com ele na sua linha. Algumas não fazem leitura nenhuma do arco-íris e veem ali só beleza e gratidão. Não existe um fundamento único escrito sobre esse sinal: o que se apresenta aqui é o costume mais difundido, e quem pode dizer como a sua casa lê o arco é o seu dirigente.

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TemaCores no céu depois da chuva: aliança, renovação e a bênção de Oxumaré
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O que fazer

  1. Pare um instante e olhe. O arco-íris dura pouco, e o primeiro gesto que a tradição ensina é simples: agradecer pela chuva que molhou a terra e pela luz que voltou.
  2. Se quiser marcar o momento, faça uma prece curta ou saúde Oxumaré com Arroboboi. Peça que os ciclos da sua vida girem para o bem e que o que precisa ser renovado se renove com calma.
  3. Se você estava passando por uma fase difícil, receba o arco como lembrete de que tempestade não dura para sempre. Anote o que está vivendo naquele dia. Muitas vezes o sinal fala mais pelo momento do que pelo céu.
  4. Quem quiser agradecer a Oxumaré pode acender, com orientação da sua casa, uma vela amarela e verde ou nas cores que o seu terreiro usa para ele, em local seguro, longe de cortinas, papéis e do alcance de crianças e bichos.
  5. Se sentir vontade de se renovar, um banho de ervas suaves, como alecrim, manjericão ou pétalas de rosas brancas, do pescoço para baixo ajuda a acompanhar essa energia de recomeço. Lavar a cabeça com ervas é amaci, e isso se faz com orientação da sua casa.
  6. Não é preciso nenhum trabalho espiritual por ter visto um arco-íris. Não corra atrás do pé do arco nem tente prender o sinal: ele é bênção de passagem, para ser recebido e não guardado.
  7. Se surgir alguma dúvida sobre o que o sinal quer dizer para você, converse com o seu dirigente. Sinal se entende na conversa e com o coração tranquilo.

Atenção às causas naturais

Antes de tudo, observe o simples. O arco-íris tem explicação física clara. Ele aparece quando o sol está atrás de quem olha e há gotas de chuva no ar à sua frente. A luz entra em cada gota, muda de direção, reflete lá dentro e sai de novo, e nesse caminho a luz branca se separa nas cores, sempre na mesma ordem, com o vermelho por fora e o violeta por dentro. Como cada pessoa recebe a luz de gotas diferentes, cada um vê o seu próprio arco, e ele acompanha você quando você anda: por isso ninguém chega ao pé dele nem encontra pote de ouro. Às vezes surge um segundo arco, mais fraco e com as cores invertidas, que é a luz refletida duas vezes dentro das gotas. Saber da causa natural não apaga o costume: a tradição usa a beleza do arco como lembrete de gratidão e de renovação.

Perguntas frequentes

O que significa ver um arco-íris?
Na crença popular, ver um arco-íris é sinal bom: bonança depois da tempestade, renovação e promessa cumprida. Na Umbanda e no Candomblé muita gente lembra de Oxumaré, o Orixá do arco-íris. A leitura varia de casa para casa.
Qual Orixá está ligado ao arco-íris?
Oxumaré, o Orixá representado pela serpente e pelo arco-íris, ligado aos ciclos, ao movimento contínuo, à chuva e à prosperidade. A saudação mais conhecida é Arroboboi e as cores mais usadas são o amarelo e o verde, ou todas as cores do arco. Confirme com o seu terreiro como a sua casa o cultua.
Ver arco-íris é sinal bom ou ruim?
Na grande maioria das leituras, é sinal bom. Fala de renovação, de uma fase difícil que ficou para trás e de esperança. Não há leitura tradicional difundida que trate o arco-íris como mau presságio.
Por que o arco-íris é ligado a Oxumaré?
Porque a tradição conta que o arco-íris leva a água da terra até o céu e a devolve em chuva, num ciclo sem fim, e esse é o movimento de Oxumaré. Um mito recolhido por Reginaldo Prandi diz que ele aparece enfeitando o céu na forma do arco depois de fazer a chuva parar.
Toda casa de Umbanda cultua Oxumaré?
Não. Oxumaré é muito cultuado no Candomblé, e na Umbanda a presença dele varia bastante. Há casas que trabalham com ele, outras que não o incluem na sua linha. Por isso a leitura do arco-íris pode mudar de um terreiro para outro.
O que fazer quando vejo um arco-íris?
Agradeça pela chuva e pela luz, faça uma prece curta se quiser e, se a sua casa cultua Oxumaré, saúde Arroboboi. Peça que os ciclos da sua vida girem para o bem. Não é preciso nenhum trabalho espiritual por causa disso.
Ver arco-íris duplo tem significado especial?
Na leitura popular, o arco duplo costuma ser recebido como bênção reforçada, sinal de renovação em dobro. Não há fundamento de terreiro específico sobre isso. Pela física, o segundo arco é a luz refletida duas vezes dentro das gotas, por isso ele é mais fraco e tem as cores invertidas.
É verdade que tem um pote de ouro no fim do arco-íris?
É uma crendice antiga e bonita, mas o arco-íris não tem pé: ele é um efeito da luz nas gotas de chuva e se move junto com quem olha. A leitura espiritual troca o ouro pela prosperidade que vem dos ciclos bem vividos.
Sonhar com arco-íris é a mesma coisa?
Não. O sonho tem leitura própria, ligada ao que você está vivendo por dentro. Aqui falamos do arco-íris visto acordado, no céu depois da chuva.

Fonte: Oxumarê, o arco-íris (Reginaldo Prandi), Companhia das Letras, Com todas as cores do arco-íris, ABMES, O que é um arco-íris e como ele se forma?, National Geographic Brasil

Conteúdo informativo e de fé. A leitura de sinais varia de casa para casa e muitos deles também têm causas naturais. Não substitui a orientação do dirigente do seu terreiro nem o cuidado médico. Observe com equilíbrio.
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